*Texto publicado originalmente no Jornal Tribuna do Sertão em 2016 (com atualizações)

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Uma lógica filosófica: todo efeito tem uma causa. A violência que as cidades vivem hoje é efeito de uma causa anterior decorrente da inoperância, negligência e letargia. Dizem que são características próprias do atual dos governos atuais, mas o problema existente hoje é consequência de escolhas do passado.

Notícias de assaltos, furtos, tráfico estão todos os dias nos veículos de comunicação. Li recentemente uma frase escrita num muro: “Numa sociedade que não investe em cultura, a violência é o espetáculo”. Nosso imediatismo muitas vezes não nos deixa enxergar que o combate contra a violência não é apenas colocar mais policiais nas ruas. Esta é a maneira ostensiva e a repressão não soluciona a causa do problema, mas sim os sintomas. Para diminuirmos ou eliminarmos a causa é necessário um investimento permanente em políticas públicas para a juventude nos bairros em vulnerabilidade social, onde as crianças e jovens estão mais expostos ao tráfico de drogas. Cultura, Esporte, dinamização de espaços, economia criativa como fonte de renda, cursos de capacitação profissional devem receber investimento permanente e não algo pontual nestas áreas. O que foi feito até hoje é muito pouco e o reflexo são os assaltos, torturas e medo a que nossos cidadãos são submetidos.

Mas se é tão óbvia a solução, por que não há mais investimento na área? O motivo é simples e triste: a maioria dos nossos governantes trabalha com a lógica eleitoreira. Investimentos deste tipo não convertem votos nas urnas, pois tem um efeito em médio e longo prazo.  Portanto, este tipo de governante da velha política prefere investir em áreas que convertam votos imediatos para poderem contar com a reeleição, emplacar sucessores como cônjuges, filhos, irmãos, parentes, amigos ou outros “laranjas”. Este tipo de político, que compra voto e faz a politicagem já tão conhecida, trata a Democracia como uma espécie de coronelismo moderno, passando o poder para os seus protegidos e, de certa forma, continuarem no comando.

Na contramão desta lógica cruel, muitos guerreiros enfrentam esta realidade em prol do próximo, sem pensar em nenhuma forma de levar vantagem. Grupos culturais de capoeira em nossa cidade liderados por Maxuell, Boca, Beiramar, entre outros; Projeto Viver Arte coordenado pelo casal Mezaque e Zilma. Projetos esportivos de futebol como a Escola Laricas Futsal, LUSAC e Ajax, projeto de boxe de Guinga na APAE, Artes Marciais com professor Billy, Fabiano, Everaldo são exemplos de combate à violência.

Enquanto não renovarmos a mentalidade para prevenirmos continuaremos presos a projetos meramente eleitoreiros e a violência continuará a crescer nos bolsões de pobreza e nos gabinetes dos coronéis eleitos.

*Paulo Esdras é escritor, professor, comunicólogo, membro da ALAB e Diretor de Cultura Municipal de Brumado.

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