Lembro-me desta casa, casa de Maria. Da escada vermelha, da janela sem sacada.
Lá fora, o cantar da feira descendo a ladeira. Dentro, a matriarca Maria reunindo a família em torno da mesa arrumada. Lembro do cheiro de comida, do gosto, do gosto de estarmos juntos. Sorriso tímido e acolhedor, crianças correndo no corredor do passado que a lembrança torna presente. “Maria, cheguei!”, João chegou do batente e sentou na cadeira de balanço.
Mira, a primogênita, sempre elegante e protetora; Aleli, acolhedora e alegria de alma, com criatividade admirável; Lene, meiga e carinhosa, sempre abraçando os seus; Naldo, belo e carismático, centroavante da casa; Sandra, inteligente e cativante, estrela-guia; Miralta, corajosa e batalhadora, uma força sem igual; Val, sempre com um sorriso no rosto, coração de diamante; Maísa, cometa da família, alegria e intensidade; Marly, caçula de espírito velho, sábia e jovial.
Quando se reuniam na casa de Maria era uma festa! Sorrisos de João, Maria acolhendo todos os filhos e netos, colchões no chão, brincadeiras, bate-papo e o canto do galo ao fundo. Sem falar nas festas, trocas de presentes, amigo secreto era um momento muito aguardado, sempre com alguma surpresa.
Das mãos macias de mãe, de esposa, de avó, conseguiu formar esta família de pessoas de bem, cheia de boas tias, mães e pais. Lembro-me desta casa que havia e que tanto trouxe carinho, carinho de vó Maria.
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